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A CONSTRUÇÃO DE UM NOVO ESPAÇO *Original De 01/01/2003. Salvador, 04 de Setembro de 2004. *Texto : Marcos Souza Garrido. A INFORMÁTICA O processamento e transferência de dados, deu-se com maior perfeição nas últimas duas décadas. As Firmas Comerciais e Financeiras sempre dependeram de informações precisas para a realização de seus negócios. A ciência da informática possibilitou não só o controle dos negócios, mas sobretudo forjou um espaço fluido do "não lugar" onde as negociações e ou informações podem ser realizadas ou obtidas, em tempo real, de qualquer parte do planeta. A organização de arquivos de dados que antes demandava semanas ou até meses, passou a ser feito em poucos minutos ou segundos. Os Estados Nacionais logo se engajaram nesse processo de inovação tecnológica da informação. Desde da Segunda Guerra Mundial, e mesmo séculos antes, o homem já buscava o processamento e armazenamento das suas informações. Contudo, foi na Segunda Guerra Mundial, por volta de 1939, que esse intento foi intensificado com maior afinco. Tal foi o potencial descoberto, que milhares e milhares de máquinas, foram fabricadas para o esforço de guerra, essas máquinas eram tabuladores a cartão, ou seja elas escreviam, liam e quantificavam as informações que havia em cartões perfurados. Alguns anos à frente, com o aperfeiçoamento da eletrônica, a possibilidade de quantificar e armazenar as informações cresceram geometricamente, abrindo novas fronteiras para a humanidade. Hoje, para sociedade moderna, isso é uma realidade do nosso cotidiano, o que antes estava limitado aos governos e mais especificamente ao setor militar, agora é uma ferramenta utilizada em todas as áreas e atividades da sociedade humana. Parece incrível, mas a Alemanha Nazista só obteve êxito, mesmo que por poucos anos, ao dominar a Europa e seguir com seu plano de exterminar os judeus graças à computação das informações. Na década de trinta (1930), as máquinas Hollerith* (tabuladores) já eram bastante difundidas entre os principais governos do velho mundo. No intento de coletar dados de cada cidadão para a realização do censo, com essas perfuradoras de cartões era possível detalhar sexo, idade, religião, nacionalidade e até o endereço do recenseado. Na época vários experimentos foram feitos com relativo sucesso, o que animou os partidários do nazismo, vislumbraram assim, a possibilidade de identificar todos os cidadãos “arianos”, e mais, saber quem eram os tais judeus. Logo o Terceiro Reich associou-se a detentora da tecnologia, a IBM. A Dehomag era uma subsidiária alemã da International Business Machines, americana. A estratégia de Hitler era simples porém trabalhosa, conhecer e armazenar com detalhes dados do potencial do território alemão, indústria, comércio, matéria-prima, transporte, mão-de-obra, tudo deveria ser canalizado no esforço de guerra. Isso só era possível, naquele momento, através da tecnologia dos cartões perfurados. Todos os setores da sociedade germânica, foram convocados a prestar informações de suas atividades, o que possibilitou, o cruzamento das informações, tornando-as bastante confiáveis. A existência do cidadão ficou condicionada as informações aglutinadas num cartão. Quem primeiro sentiu na pele o poder da informação “instantânea”, nas mãos de pessoas belicosas, foi a população de ascendência judaica. A maioria das pessoas acha que o extermínio dos Judeus, impetrado por Hitler, foi algo simples ou voluntarioso, nenhum Judeu era louco o bastante, ante o clima de anti-semitismo, de se identificar como semita. Os cartões sim, possibilitaram tal reconhecimento, não era a toa que as tropas SS, retiravam e selecionavam os Judeus, no trabalho e nas residências, levando-os aos campos de extermínio. Através de complicados processamentos de dados, as máquinas tabuladoras, foram o principal instrumento da política anti-semita, nas mãos dos nazistas. Logo os governos notaram que a precisão do Terceiro Reich, estava justamente no domínio das informações que possuía. Não demorou pra que as esferas militares das principais nações também se empenhassem na sistematização das informações através de máquinas que pudessem computar dados, pois a velocidade dessa computação dava uma vantagem estratégica no planejamento e execução no esforço de guerra. Os Aliados, e mais precisamente o governo Inglês, desenvolveu um dos primeiros computadores do mundo o Colossus, utilizava válvulas, ele era capaz de processar 5.000 caracteres por segundo, sendo o responsável pela decodificação das mensagens secretas alemãs de nome “Enigma”. O responsável pelo projeto foi o agente secreto Alan Turing, que demonstrou que através de estruturas simples (de soma), poderia resolver qualquer problema complexo. *nota: A IBM foi fundada pelo Alemão Herman Hollerith, como empresa de tabulação e recenseamento – Edwin Black 2001(pg. 4). OS AVANÇOS DO PÓS-GUERRA Após a Segunda Guerra, vários avanços importantes despontaram no cenário mundial. A evolução da transmissão dos sinais elétricos para as formas eletrônicas de transmissão de sinais, provocou o desenvolvimento da informática e das redes de computadores, cujo estado atual conhecemos como: Internet. O ENIAC, foi um dos primeiros computadores, a válvulas a ser criado. Ele teve vida ativa curta (1946 a 1952). O transistor foi inventado em 1947 e a equipe que o criou recebeu um Prêmio Nobel em 1956. Este componente reduziu em muito o tamanho dos aparelhos, pois, substituiu a válvula, pelos circuitos. Assim chegou-se a um passo do chip, possibilitando a miniaturização dos circuitos, através dos circuitos integrados. Logo o chip seria difundido na montagem dos computadores. De início, os dirigentes da maior empresa de computadores do mundo a IBM, não acreditaram que haveria uma demanda para computadores pessoais, mesmo já tendo condições técnicas na década de 1970, pois até então não se tinha uma demanda, ou utilidade prática que justificasse tal investimento. Ademais era de interesse da empresa a centralização do processamento das informações, para continuar retendo a tecnologia de suas máquinas, e ter o maior número possível de clientes. O MICRO COMPUTADOR E O PODER DO CÁLCULO No final da década de 1970 e início de 1980, Stephen Wozniac e Steve Jobs, realizaram o grande feito de planejar e executar a tarefa de construir o APPLE II, isso feito numa garagem de forma quase que artesanal. A comercialização desse microcomputador foi um completo sucesso. Os dois estudantes californianos ficaram ricos e famosos. Neste estágio de desenvolvimento a informática começa a ser socializada de forma mais intensa, pois até então a potência, ou o poder de grandes cálculos que se encontrava centralizado nos governos, exércitos ou nas grandes empresas, porém, agora voltava a ser uma ferramenta dos indivíduos. A IBM não ficou atrás, laçou O IBM-PC em 1981 com 64Kb de RAM, devido ao seu custo foi mais utilizado em áreas profissionais. Hoje nosso cotidiano é repleto dos reflexos da utilização da informática, tal foi à intensificação e a gama de serviços postos à disposição por esse instrumento de multi aplicação da eletrônica, que fica difícil até imaginar o desempenho de nossas atividades sem ele. O acesso à informação cada vez mais se faz através dos meios informativos nas redes de computadores. A SOCIALIZAÇÃO DA INFORMÁTICA Neste novo milênio está sendo consolidada uma grande infra-estrutura eletro-digital, seja por linhas físicas, através de cabos e fios ou por antenas e satélites de comunicação, o que potencializa o uso e a comunicação entre os computadores de todo o globo terrestre. Para que haja a comunicação entre as máquinas se faz necessário uma compatibilidade de hardware e de software. Os modens, tiveram papel fundamental como componente da informática, na socialização das informações, numa discrição simples, eles estabelecem a comunicação entre as máquinas codificando e decodificando as mensagens – informações – o aperfeiçoamento dos modems aumentou geometricamente a velocidade das comunicações, assim a rede “Internet” com seus serviços trabalham numa espécie de “real-time”. E-mails, sites, chats e etc., são palavras bastante conhecidas, o endereço eletrônico passou a ser uma ferramenta comum de comunicação, para quem possui ou tem acesso a um computador. Nos sites é vendido de tudo, é só usar a senha alfa-numérica do cartão de crédito. O uso e a difusão dos computadores baseada na Internet, fez da informática o principal instrumento do cotidiano na vida urbana. Hoje as escolas de primeiro e segundo grau, dão aulas de informática, mesmo tendo um caráter introdutório para a utilização dos softwares. A sociedade já percebeu a grande importância da computação para o aprendizado escolar e a futura carreira profissional. A cada ano aumenta o número de usuários da Internet, em que se deduz que também estão aumentando o número de computadores, numa trajetória similar dos aparelhos de tvs na década de 1970. Logo os computadores pessoais serão algo corriqueiro nas atividades humanas. A única e última barreira da socialização da informação, estão provavelmente na pobreza extrema das populações que se encontram fora do circuito capitalista. UM NOVO ESPAÇO – O ESPAÇO VIRTUAL? O espaço é entendido como um lugar onde o homem desenvolve suas atividades, quer seja de lazer, trabalho, descanso, etc., sendo algo concreto, pois os sentidos da percepção como tato, olfato, visão, paladar e audição, se completam para definição sensorial do espaço, isso não de forma isolada, mas coletiva, em relação aos outros membros da sociedade, sendo impossível o “isolamento corpóreo” dentro da vida social. Todavia a expansão dos meios de comunicação, aliado ao desenvolvimento da informática, está possibilitando, que cada vez mais as informações cheguem de forma instantânea e precisa dentro dos lares da civilização moderna e contemporânea. Podemos verificar em relação aos serviços, que há um deslocamento maciço das atividades financeiras e até mesmo de lazer e cultura, para os meios digitais, tendo a tela do microcomputador como palco de sua apresentação e interação sócio-virtual com o indivíduo. Logo, nos parece errado essa nomenclatura, o “espaço virtual” no sentido de não ser real não pode ser aplicado como definição. Se transações comerciais são realizadas pelos meios binários da informática, como podemos definir isso como algo não real. Na realidade o que está acontecendo é a criação de um novo espaço resultante da produção do homem, num contexto histórico, localizado na era da informação. Esse “novo” espaço, também está sendo expropriado de uma forma, ou de outra, pelo poder do capital, mesmo ante o barateamento das máquinas, o intenso ritmo de pauperização da população mundial indicam um distanciamento cada vez mais acentuado das novas tecnologias, em relação aos desprotegidos economicamente.
CONSULTAS: BLACK, Edwin – IBM e o Holocausto. Editora: Campus – 3ª edição - Rio de Janeiro. 2001. FRANCO, Marcelo Araújo – Ensaio Sobre as Tecnologias Digitais da Inteligência. Editora: Papirus – Campinas-SP. 1997. CASTELLS, Manuel – A Sociedade em Rede. Editora: Paz e Terra – 4ª edição – São Paulo SP. 1999. Ferro's Home Page - História da Informática1.htm
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